O pesquisador Miguel Nicolelis tornou-se nesta quinta-feira o primeiro brasileiro a ter uma pesquisa publicada na capa da conceituada revista Science. Ele desenvolveu um estimulador da medula espinhal que ajudou roedores com o mal de Parkinson a se moverem com mais facilidade.
O estudo de Nicolelis abre possibilidades para que, no futuro, a doença possa ser tratada em humanos de forma menos invasiva. “Vemos uma mudança quase imediata e dramática na capacidade funcional do animal quando o mecanismo estimula a medula espinhal”, disse Nicolelis, que mora nos Estados Unidos e trabalha na Universidade Duke, na Carolina do Norte.
Se funcionar em humanos, disse Nicolelis, o dispositivo poderá ser usado para um tratamento precoce da doença, beneficiando mais pessoas do que os atuais estimuladores, que são implantados no fundo do cérebro e só servem a cerca de um terço dos pacientes de Parkinson. O cientista explicou que é mais fácil e seguro instalar um estimulador na medula do que no cérebro. Ambos os estimuladores usam impulsos elétricos para controlar os tremores e a fraqueza muscular provocados pela doença.
O mal de Parkinson mata as células cerebrais que produzem a dopamina, um neurotransmissor associado ao movimento. Medicamentos de reposição de dopamina podem adiar os sintomas por algum tempo, mas não há cura definitiva. “Esta técnica é muito mais fácil e barata e pode ser feita em conjunto com uma dose muito menor de medicação”, disse Nicolelis. “Ela trata do mal de Parkinson de uma forma muito diferente.”
Fonte: Veja
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